Este será o primeiro de uma série de posts sobre o SHIFT 08. O evento demonstrou claramente os assuntos mais quentes em torno da tecnologia da informação, nomeadamente sobre a computação ubíqua. Se o tema dos anos 80 e 90 era a realidade virtual, com o sujeito transposto para a realidade do objecto, hoje assistimos claramente ao inverso – a tecnologia estará presente no objecto e, porque não, no próprio sujeito.
A sessão dirigida por Julian Blaver sobre tecnoficção (design fiction), convidou a uma reflexão sobre as correlacções que se formam entre o design, a ficção, a ciência e os média.
A ficção em design pode ser entendida como projecção de possibilidades, antecipação e representação do futuro e diluição das fronteiras que separam os factos da ficção na ciência.
A produção cinematográfica cedo apropriou-se da ficção ciêntifica. Em 1927, o cineasta austríaco Fritz Lang realizou Metrópolis, a mais cara produção europeia à data, cujo enredo levava o espectador para uma realidade sombria, no qual eram espelhados muitos dos receios de uma sociedade incapaz de lidar com as transformações do início do século XX. Mas, para além disso, foram testados pela primeira vez conceitos sobre inovação tecnológica em contexto de uso. O recurso à tecnologia fora simulado pela primeira vez perante uma audiência: um verdadeiro teste de usabilidade à escala global onde se podiam ver autoestradas suspensas e taxis voadores ( com asas de morcego p.e). Esses testes permitem um olhar crítico sobre o devir. Despertam o interesse colectivo pela tecnoficção, ajudando a projectar o futuro. Dificilmente podemos ignorar que grande parte do interesse, financiamento e popularidade do multitouch resulta da projecção mediática conseguida com o sucesso do Minority Report.
Mais ainda, o esforço realizado para obter da performance do Tom Cruise uma representação convincente implicou investigação, construção de modelos ergonómicos hápticos do tipo gesto/acção e interface a uma escala nunca antes vista, contribuindo dessa forma para uma maior compreensão do fenómeno.
Concluindo(?) a ficção de design ajuda a tornar visíveis tecnologias emergentes para além de facultar um vasto campo de experimentação e controlo.